Setembro Amarelo: conversar e ouvir as pessoas contribuem para a prevenção ao suicídio

Psicóloga Joelina Abreu, do Hapvida Mossoró, defende que discutir o tema pode salvar vidas.

Da Assessoria/Hapvida Mossoró

Em setembro, as campanhas de conscientização sobre prevenção do suicídio se espalham pelo mundo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio no mundo, anualmente.

Sempre existiu um tabu em torno da discussão do suicídio. Mas os especialistas defendem que conversar sobre o tema pode salvar vidas. "Falar sobre o assunto mostra que todos nós nos tornamos um tanto guardiões um do outro, vigilantes públicos", reforça a psicóloga Joelina Abreu, do Hapvida.

Uma das preocupações é com o suicídio juvenil. "Os adolescentes sentem que não precisam ou que não podem conversar sobre seus sentimentos e, muitas vezes, do desejo de tirar a própria vida, por medo de julgamentos na família e entre amigos, na escola, no bairro,", alerta a psicóloga.

Ao contrário do que muitos podem pensar, a depressão juvenil não é um problema da adolescência. Ele começa a se instalar num momento delicado e crucial da vida de todas as pessoas: a infância.

Segundo Joelina Abreu, é na formação da personalidade que a família mais precisa oferecer suporte e harmonia à formação do indivíduo, dentro de casa. "Até os 7 anos de idade, em média, nós formamos o que chamamos de personalidade. Nessa fase, a família precisa oferecer um cenário de conforto emocional e de equilíbrio racional para a criança. Assim, ela vai crescer sabendo lidar com emoções, principalmente, com as frustrações", destaca a especialista.

Essa harmonia proporcionada na infância não tem relação com o tipo de família, pondera à psicóloga. "Não importa se os pais são casados ou separados, se é uma família heterossexual ou homoafetiva, se a criança é criada pelos pais ou pelos avós. Mas em todos esses lares, o amor, o acolhimento e a compressão devem ter sempre o maior peso", orienta Joelina Abreu.

É claro que, mesmo com todo esse suporte, algumas famílias vivenciaram a perda precoce de um parente que se suicidou. Não se pode negar que fatores externos, como um stress em uma situação de perigo, ou de ameaça, coloquem o adolescente em conflito interno. "Todos nós fomos adolescentes e passamos por momentos de querer desaparecer do mapa, porque é natural você se sentir estranho nessa fase da vida, em que não se é adulto e não se é mais criança, mas o pensamento suicida real é potencializado em mentes mais vulneráveis, justamente as que não foram incentivadas a buscar o lado positivo de tudo, desde a infância", reforça a especialista.