Pedagoga aponta desafios da inclusão no ambiente escolar

"Um dos principais desafios é aceitar as diferenças", pontua Cláudia Oliveira, que aponta ainda a importância dos pais em todo o processo

A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (PNEEI), instituída pelo Ministério da Educação em 2008, permitiu compreender a educação especial não mais como aquela ofertada de forma apartada da escolar regular, mas articulada, atuando no sentido de oferecer recursos e serviços que possibilitem a plena aprendizagem do aluno público-alvo da educação especial na classe comum.

Afinal, estar na escola é direito de toda criança. No Brasil, a porta de entrada para o sistema formal de ensino é a educação infantil, que atende crianças de zero a cinco anos. Mas como criar, na prática, uma educação infantil inclusiva? A pedagoga Cláudia Oliveira, que cursa atualmente pós-graduação em Atendimento Educacional Especializado e atua na educação infantil, ministrando aulas no Instituto Educacional DóRéMí (IED), destaca alguns caminhos que podem ser seguidos.

"Um dos principais desafios da educação inclusiva é aceitar as diferenças. Muitas vezes, os próprios pais das crianças não admitem que o filho precisa de uma atenção especial, o que dificulta o trabalho da escola. Precisamos compreender que todos somos diferentes", pontua a pedagoga.

Aceitando a diferença do filho, o próximo passo é os pais buscarem a inclusão da criança na escola, de maneira global. "Muitas vezes a unidade de ensino até aparenta ser inclusiva, principalmente no que se refere à estrutura física, mas a metodologia não inclui o aluno. É preciso que o físico e a equipe pedagógica caminhem juntos. O aluno precisa estar em sintonia com os demais alunos", acrescenta Cláudia Oliveira.

Como a própria legislação determina que a criança seja incluída no ambiente escolar, sem distinção, cabe aos pais exigirem da escola que o atendimento especializado seja oferecido de maneira a socializar e não apartar a criança com deficiência dos demais alunos. "A presença de um auxiliar em sala de aula, por exemplo, é fundamental e até mesmo obrigatória em alguns casos, como em salas que possuam crianças diagnosticadas com o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Se não houver esse profissional, os pais devem cobrar da escola", conclui a profissional.