Nayara Gadelha: "Estamos conseguindo alcançar o que foi proposto"

Vice-prefeita de Mossoró diz que a política aconteceu de forma natural em sua vida e que se sente preparada para novos desafios.

Foto: Marcos Garcia/Jornal De Fato
Foto: Marcos Garcia/Jornal De Fato

Por César Santos e Maricélio Almeida - JORNAL DE FATO

Desconhecida por grande parte dos mossoroenses no pleito de 2016, a odontóloga Nayara Gadelha tem deixado a sua marca ao conduzir a Vice-Prefeitura do segundo maior município do Rio Grande do Norte.

Engajada em projetos voltados para os jovens da cidade, como o Estação Juventude 2.0, Nayara vem conseguido imprimir um ritmo de trabalho que a diferencia em meio a tantas figuras consideradas "decorativas" no mesmo cargo que ocupa.

A vice-prefeita é a entrevistada da semana do quadro "Cafezinho com César Santos". Na conversa a seguir, ela destaca o sucesso do projeto Estação Juventude 2.0, que, ao seu final, pretende contemplar 800 jovens em cursos de capacitação oferecidos em parceria com o Governo Federal, aborda também outras ações do Executivo em benefício dessa parcela da população e comenta o cenário político para 2020. Acompanhe.

Em novembro de 2018, foi lançado em Mossoró o projeto Estação Juventude 2.0, em parceria com a Secretaria Nacional da Juventude do Governo Federal. A base do projeto é atender jovens de 15 a 29 anos para inseri-los no cenário social. Aqueles objetivos que a senhora apresentou no lançamento estão sendo cumpridos?

Sim. Para conseguirmos o programa, precisamos estudar como estava a juventude aqui em Mossoró, a vulnerabilidade juvenil desse público de 15 a 29 anos. Foram mais de 500 propostas de adesão em todo o Brasil e apenas 26 foram contempladas, sendo que no Rio Grande do Norte, apenas Mossoró e Lagoa Nova. Em Lagoa Nova, o projeto ainda não começou. Eles até querem nos visitar para ver o que está dando certo aqui, já que nós estamos com seis meses de execução do Estação Juventude 2.0. Estamos conseguindo alcançar o que foi proposto, que é dar essa primeira oportunidade, dar um encaminhamento para o jovem. O Estação Juventude vai além dos quatro cursos (Fotografia, Doceria, Web Design e Condutor de Turismo), mas se esses jovens aqui de Mossoró não quiserem participar de nenhum desses cursos, há profissionais à disposição todos os dias, manhã e tarde, para conversar, saber o que esses jovens estão querendo, tentar inseri-los na sociedade.

A PARTIR do projeto, é possível inserir os jovens no mercado de trabalho?

A GENTE nunca afirma isso. Sabemos das dificuldades. Oportunizamos o primeiro passo. Alguns dos jovens já trabalham informalmente. Com a capacitação, eles ficam mais seguros, o ensino é valorizado. Alguns jovens já nos dão retorno que fizeram parceria entre eles, abriram o próprio negócio, mas não podemos garantir que todos serão inseridos no mercado de trabalho. Nem mesmo as faculdades afirmam conseguir isso.

A SENHORA se empenhou pessoalmente em trazer o projeto para Mossoró, não é isso?

NA CAMPANHA, já anunciávamos a nossa intenção de trabalhar pela juventude. Então, assim que assumimos em 2017, tivemos as primeiras viagens a Brasília (DF), fomos à Secretaria Nacional da Juventude e, na época, ficamos sabendo que seria aberto o projeto. Corremos atrás, levantamos os dados da violência juvenil local e fomos montando o projeto, submetemos a proposta, fizemos alguns ajustes e conseguimos. Em cada um dos quatro cursos, serão 10 turmas no total. Estamos nas terceiras turmas. A cada ciclo, são 80 jovens contemplados. Já tivemos 160 jovens beneficiados, e, ao final, queremos ter atingido 800 jovens.

OUTRO projeto executado pela Vice-Prefeitura é o Inova Jovem. Ele tem uma linha próxima do Estação Juventude?

SIM. É bem alinhado. É voltado para empreendedor. Foram 10 dias de curso, veio um professor de fora, a turma tinha cerca de 30 jovens, com aulas manhã e tarde. No final, os jovens saíam com a logomarca e um plano de meta para colocar o seu empreendimento para funcionar. Há também o ID Jovem, que é a porta de entrada para o Estação Juventude. O ID Jovem é um programa nacional. Os jovens de 15 a 29 anos de baixa renda e que possuam o NIS baixam o aplicativo, inserem o NIS e aí gera-se o ID Jovem, que apresenta várias vantagens. A principal que eu acho são as passagens interestaduais gratuitas. Esses jovens de baixa renda têm direito a duas passagens gratuitas e mais duas com desconto de 50%. Então, o jovem que quer viajar para prestar um concurso, viajar a turismo, que não conseguia por não ter condições, o ID Jovem permite isso e faz valer o Estatuto da Juventude. É uma orientação que fazemos na Vice-Prefeitura, o cadastro no ID Jovem, se o jovem não tiver, fazemos com ele. O ID também permite desconto de 50% em entrada de cinema, teatro.

TODAS as pesquisas apontam para um alto índice de homicídios entre os jovens, tanto vítimas quanto executores, e as drogas são o principal fator para esse índice elevado. Como a senhora analisa esse cenário e qual seria a saída para esse grave desequilíbrio social?

COM certeza, não vamos encontrar uma única resposta. É algo multifatorial. A saída passa pela base familiar, uma família bem estruturada, um ensino infantil de qualidade, depois a oportunidade de ingressar na faculdade. O contexto é complexo, mas que hoje, pontualmente, a possibilidade de o jovem ingressar no mercado de trabalho é uma dessas alternativas, mas é uma cadeia que deve ser construída desde muito cedo.

Quais as políticas públicas do Município para inserir esses jovens dentro desse contexto?

A SECRETARIA do Desenvolvimento Social e Juventude tem vários projetos. Temos os CRASs, para acolhimento desses jovens. A Vice-Prefeitura tem servido também como porta de entrada para esses jovens. Temos, também, a comunicação com outras áreas da sociedade, parcerias com Senac, Sesi, outras teias para que possamos estar juntos dos jovens.

CHAMOU atenção uma declaração do presidente Jair Bolsonaro que disse que o trabalho dignifica o homem, independente da idade. Nas entrelinhas, sugeriu uma defesa do trabalho infantil. Como a senhora observa esse tipo de declaração, mediante um cenário preocupante da exploração da mão de obra infantojuvenil?

É EXAGERO dizer que ele (o presidente) é a favor do trabalho infantil. Na época do meu pai, por exemplo, ele sempre dizia que esteve ao lado do pai dele em uma bodega, isso nunca deixou de ser mérito para o crescimento da pessoa. O jovem pode ser, sim, responsável por muita coisa, pode estar ao lado do adulto em vários momentos, para isso somar ao histórico dele como pessoa, mas, com certeza, não sou a favor do trabalho em si, mas da responsabilidade começando desde a infância, e aí o jovem ser melhor aproveitado na sociedade e ser menos frustrado.

VAMOS falar um pouco de política. Estamos em um ano pré-eleitoral. Evidentemente que as conversas vão avançar a partir de agora. Qual o projeto que a senhora tem para 2020?

NÃO pensei ainda em projeto pessoal, de verdade. Tudo foi muito natural na minha vida, nunca fui atrás da política; ela aconteceu. Se vier a acontecer novamente, de uma forma natural, se for interessante para o grupo, para a cidade, meu nome está à disposição. Se não acontecer, sou dentista, continuo no meu consultório, e vai ser também muito tranquilo para mim.

COMO a senhora avalia as críticas que a figura do vice, de maneira geral, recebe? De que é um cargo figurativo...

ESCUTEI muito isso na campanha, e hoje, no decorrer do trabalho, escuto que sou das vices que mais acompanhou, mais apareceu, independente de a prefeita estar distante. Eu já assumi a Prefeitura oito vezes, mas estou sempre ao lado da prefeita. Eu fiz de tudo para desmitificar isso, para mostrar que vice não é só um bibelô, como já usaram esse termo. Independente de a prefeita precisar ou não, eu gosto de estar com ela, acompanhando, de ser escutada, dar a minha opinião, e assim tem sido. Acho que chamou atenção o fato de uma vice tão jovem, então muita gente ficou observando, prestando atenção se eu ia dar conta do recado, fazer valer o voto.

Quais as políticas públicas do Município para inserir esses jovens dentro desse contexto?

A SECRETARIA do Desenvolvimento Social e Juventude tem vários projetos. Temos os CRASs, para acolhimento desses jovens. A Vice-Prefeitura tem servido também como porta de entrada para esses jovens. Temos, também, a comunicação com outras áreas da sociedade, parcerias com Senac, Sesi, outras teias para que possamos estar juntos dos jovens.

CHAMOU atenção uma declaração do presidente Jair Bolsonaro que disse que o trabalho dignifica o homem, independente da idade. Nas entrelinhas, sugeriu uma defesa do trabalho infantil. Como a senhora observa esse tipo de declaração, mediante um cenário preocupante da exploração da mão de obra infantojuvenil?

É EXAGERO dizer que ele (o presidente) é a favor do trabalho infantil. Na época do meu pai, por exemplo, ele sempre dizia que esteve ao lado do pai dele em uma bodega, isso nunca deixou de ser mérito para o crescimento da pessoa. O jovem pode ser, sim, responsável por muita coisa, pode estar ao lado do adulto em vários momentos, para isso somar ao histórico dele como pessoa, mas, com certeza, não sou a favor do trabalho em si, mas da responsabilidade começando desde a infância, e aí o jovem ser melhor aproveitado na sociedade e ser menos frustrado.

VAMOS falar um pouco de política. Estamos em um ano pré-eleitoral. Evidentemente que as conversas vão avançar a partir de agora. Qual o projeto que a senhora tem para 2020?

NÃO pensei ainda em projeto pessoal, de verdade. Tudo foi muito natural na minha vida, nunca fui atrás da política; ela aconteceu. Se vier a acontecer novamente, de uma forma natural, se for interessante para o grupo, para a cidade, meu nome está à disposição. Se não acontecer, sou dentista, continuo no meu consultório, e vai ser também muito tranquilo para mim.

COMO a senhora avalia as críticas que a figura do vice, de maneira geral, recebe? De que é um cargo figurativo...

ESCUTEI muito isso na campanha, e hoje, no decorrer do trabalho, escuto que sou das vices que mais acompanhou, mais apareceu, independente de a prefeita estar distante. Eu já assumi a Prefeitura oito vezes, mas estou sempre ao lado da prefeita. Eu fiz de tudo para desmitificar isso, para mostrar que vice não é só um bibelô, como já usaram esse termo. Independente de a prefeita precisar ou não, eu gosto de estar com ela, acompanhando, de ser escutada, dar a minha opinião, e assim tem sido. Acho que chamou atenção o fato de uma vice tão jovem, então muita gente ficou observando, prestando atenção se eu ia dar conta do recado, fazer valer o voto.

NÃO resta dúvida que a senhora é uma vice atuante, mas sem criar dificuldade para a prefeita Rosalba Ciarlini. Essa atuação é natural ou é uma atuação dentro de um projeto político?

TOTALMENTE natural. Na campanha, fui de casa em casa, dei minha cara a tapa, como se diz, defendendo o trabalho em defesa dos jovens. Então, ao final desses quatro anos, dessa missão, quero sair com a sensação de dever cumprido. Desde o começo, foi essa a minha intenção, a prefeita Rosalba realmente me deu liberdade, me colocou alguns desafios, de eu ir a Brasília, buscar projetos, fomos ao Governo Federal. Então, há uma sintonia com a prefeita, que não é fachada, temos uma relação muito tranquila, graças a Deus.

LEVANTA-SE a possibilidade de, não sendo mantida a chapa Rosalba/Nayara em 2020, a senhora ser candidata a uma vaga na Câmara Municipal? Há esse desejo?

NÃO tenho esse desejo. Não tenho essa pretensão. Nunca me passou pela cabeça ser vereadora.

PARA finalizar, qual a avaliação que a senhora faz, não da administração em si, mas do cenário de como era Mossoró em janeiro de 2017 e como a cidade se encontra hoje?

QUEM acompanha a política, sabe que a situação era caótica, muitos serviços básicos estavam parados, hoje a gente consegue dar um bom retorno à população, a Vice-Prefeitura mesmo é um desses locais onde as pessoas vão e a gente consegue dar um atendimento rápido e encaminhar para os serviços que hoje, de fato, existem. Claro que não existe vara de condão, hoje também entendo isso. Muitas coisas que pareciam fáceis, hoje vejo que não são, a parte burocrática, dos trâmites. Então, apesar das dificuldades, de bloqueios que acontecem repetidamente, o trabalho tem sido feito com muito cuidado na cidade de Mossoró, e quem chegar à Prefeitura nas eleições do próximo ano, vai encontrar um cenário bem mais organizado e conseguindo responder melhor à população.