Jorge do Rosário: "O PL está aberto para dialogar com todos"

Presidente do PL em Mossoró, o empresário não descarta abrir diálogo com partidos que não sejam da base de oposição à prefeita Rosalba. Acompanhe.

Foto: Marcos Garcia/Jornal De Fato
Foto: Marcos Garcia/Jornal De Fato

Por César Santos e Maricelio Almeida - Jornal De Fato

Um dos mais bem-sucedidos empresários mossoroenses, Jorge do Rosário decidiu, em 2016, entrar para a política partidária, compondo, naquele ano, a chapa majoritária à Prefeitura de Mossoró encabeçada pelo também empresário Tião Couto. A dupla recebeu 51.990 votos, 39,39% do total. Dois anos depois, Jorge optou por disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, tendo alcançado 23.512 votos, que não foram suficientes para levá-lo à vitória.

Hoje na presidência da comissão provisória do Partido Liberal (PL) em Mossoró, Jorge do Rosário evita colocar-se como pré-candidato ao Palácio da Resistência, ao mesmo tempo em que afirma ser uma "honra" para um filho da terra ocupar a chefia do Poder Executivo local.

Na entrevista desta semana da seção "Cafezinho com César Santos", Jorge do Rosário fala sobre o processo de preparação do seu partido rumo ao pleito do ano que vem e reforça que está na oposição, mas que não há qualquer dificuldade de diálogo com partidos como o Progressistas, da prefeita Rosalba Ciarlini. O ex-candidato a deputado estadual também revela frustração pelo resultado das urnas de 2018. "Evidente que eu esperava sair vitorioso", declarou. Acompanhe.

O PL está em uma fase de reestruturação, preparando-se para as eleições do próximo ano. Em que estágio está essa preparação?

Nós estamos em um estágio tentando formar uma nominata, que é uma coisa difícil, tem sido difícil para todos os partidos, porque mudou a legislação, então os partidos estão se preparando. Fizemos um encontro, organizando o partido em Mossoró, e estamos nesse processo de nominata. Já temos um vereador, Ozaniel Mesquita, temos conversado com algumas outras pessoas, queremos fazer um encontro interno com esses pré-candidatos, mas é um trabalho árduo, que exige muita conversa, paciência, e é isso que estamos fazendo agora, além de também conversarmos com outros partidos para decidir como o PL vai se postar no pleito de 2020.

O PARTIDO já tem um objetivo predeterminado para as eleições do próximo ano?

NÃO. Estamos em discussão. Eu, como presidente, tenho coordenado essas discussões, mas evidentemente escutando muito o nosso presidente estadual, deputado João Maia, embora ele tenha dado liberdade para tomarmos todas as decisões no núcleo de Mossoró, tomar as decisões que acharmos conscientes, mas é da boa política a gente conversar e ouvir o nosso presidente e outros companheiros do partido. O PL não tem uma definição, como eu penso que nenhum outro partido também não tenha, estão todos conversando com todo mundo, é da política, é natural. Na hora que a gente achar conveniente, ouvindo todos os companheiros, vamos tomar uma decisão que a gente repute como melhor para o partido e para a nossa cidade.

PELO menos cinco partidos têm pré-candidatos à Prefeitura de Mossoró. O PL segue essa linha? O nome do senhor pode ser considerado como pré-candidato?

EU NÃO coloco meu nome como pré-candidato. Alguns amigos têm me estimulado muito a colocar meu nome, eu fico até feliz, mas eu tenho que ter responsabilidade, se eu me colocasse como pré-candidato, seria uma condição para tentar viabilizar essa candidatura. O que eu coloco é o seguinte: o PL vai participar do pleito de 2020 e nós queremos participar da construção de um projeto para Mossoró, e se na construção desse projeto, nos debates políticos, se o meu nome conseguir reunir partidos que deem sustentação política consistente, se a gente verificar, através de pesquisas, de consulta ao povo, que meu nome tem viabilidade eleitoral, e se o PL tiver interesse na minha pré-candidatura ou candidatura, aí sim, eu vou analisar, porque também tem que ser uma decisão pessoal, tenho minhas empresas, meus negócios, e para mim é um doce sacrifício participar da política partidária e querer ser prefeito.

É UM desejo do senhor ser prefeito?

É UMA honra à biografia de qualquer pessoa que nasceu em Mossoró, eu nasci, me criei em Mossoró, trabalho aqui, invisto aqui, quero o melhor para Mossoró. Seria uma honra para mim, uma tarefa que encararia com o maior prazer, mas eu não posso ser candidato de mim mesmo, por vaidade, eu não tenho essa vaidade. Eu tenho sim compromisso de, seja em qualquer lugar, contribuir com o melhor para Mossoró, coisa que, modéstia à parte, eu tenho procurado fazer, quando invisto em Mossoró, quando presido o Sinduscon, quando vou a reuniões, qualquer que seja, independente de política, para debater os problemas de Mossoró. Questão de cargo, é se você for a pessoa certa para estar ocupando o cargo naquele momento. Nós já tivemos problemas por aventuras. Eu não sou pré-candidato, agora eu não quero entrar em aventura, não tenho nem idade mais para isso, agora se o meu nome for o que melhor represente um projeto, tenha simpatia, essa viabilidade que falei, não tenho também nenhuma dificuldade de sair às ruas, como já saí, e colocar minhas ideias e defender esse projeto.

ESSE projeto que o PL defende, ele tem restrições ou é um projeto com abertura de diálogo?

NÃO há nenhuma restrição e eu, particularmente, tenho menos ainda. Tenho diálogo com todos os segmentos, não tenho nenhuma dificuldade de conversar. Penso que para o momento que a gente vive, no nosso país, do que estamos vendo, a gente precisa, muito mais do que pender para a esquerda ou para a direita, olhar para frente, ter projetos para resolver os problemas do povo, um projeto consistente, porque o ente Estado precisa caber dentro de um orçamento, não adianta também sair nas ruas e dizer 'vou melhorar a saúde, educação', isso é muito fácil, essa retórica a gente escuta direto, agora tem que dizer como, quais são as ideias, de onde vem o dinheiro, porque o orçamento não dá para tudo, e seja você de esquerda ou de direita, o orçamento é soberano. O projeto tem que responder a essas questões, de como vai melhorar a vida das pessoas, eu quero participar desse debate, discutindo, por exemplo, a questão de mobilidade urbana, de infraestrutura, as ideias existem, mas tem que saber como vai viabilizar. Nós temos um problema seriíssimo, que é a questão das cirurgias eletivas. É um problema da Prefeitura, é? Mas tem que envolver outros entes, o Estado tem que participar disso, e participa, e a gente tem que dar uma solução a isso.

QUE solução o senhor apresentaria?

QUANDO eu fui candidato, eu já falava nisso. É algo que tem que ser prioridade, tem gente morrendo por conta da falta dessas cirurgias. Eu sempre defendi uma ideia, que não é muito original, mas eu penso como uma ideia inteligente, que a gente tem que copiar, que é a ideia de chamar as associações médicas, chamar os hospitais. Se temos mil cirurgias atrasadas para serem feitas, vamos fixar um valor, fazer uma "empreitada", estabelecer uma meta de em seis meses zerar essa fila, se vai custar R$ 2 milhões, R$ 3 milhões, vamos ver de onde a gente vai conseguir esse dinheiro, agora tem que ser mais barato, com pagamento em 12 meses, com operações aos sábados e domingos, feriados, madrugada, mas você tem que dar uma solução. Eu cito isso como exemplo, como uma questão prática, exequível, e penso que seja quem for o candidato, ou até a própria prefeita à reeleição, tem que falar para o povo e o povo entender que vai resolver, não todos os problemas, ninguém vai resolver todos os problemas, mas que vai dar soluções a problemas que já vêm se perpetuando.

VOLTANDO à questão da abertura do diálogo. O PL já participou de alguns encontros com partidos de oposição, mas se o Progressistas, que é o partido da prefeita, convidasse o PL para sentar à mesa para discutir a sucessão municipal, o PL aceitaria o convite?

SEM nenhum problema. Realmente, o PL está situado na oposição, claramente, e quem está na política, tem que ter posição. Nós temos um vereador que é da oposição. Eu, pessoalmente, quando concedo entrevista, minha posição é sempre muito propositiva, até porque não é meu estilo ficar discutindo pessoas, assuntos que não contribuem para melhorar o ambiente político. Eu, diretamente, não tenho nenhuma dificuldade de conversar com o PP, ou com a prefeita, e eu digo isso com quem eu converso. Evidentemente que a gente está na oposição, e por isso que estamos conversando na oposição, com muita clareza, muita transparência e sem sectarismo, a gente conversa com todo mundo, até poder colocar nossas ideias e, lá na frente, é que vamos tomar a decisão sobre qual será o destino do partido.

UMA questão que tem se discutido bastante desde os últimos dias é a possibilidade de empréstimo de até R$ 150 milhões para obras no município. O vereador do PL, Ozaniel Mesquita, é contra o pedido de financiamento. O Sinduscon, entidade que o senhor já presidiu, apoia a possibilidade de financiamento. A posição do senhor, qual é?

A MINHA posição pessoal é de que não vejo problema no financiamento, eu acho um caminho legítimo e isso vai ser avaliado, porque um banco não empresta dinheiro se não houver capacidade de pagamento, a gente sabe disso. Claro que tem esse debate político, que eu não entro nele. O que eu vejo é que se tem R$ 150 milhões para vir, que venham. Claro que a questão política você pode fazer uma crítica pontual, se comunicou bem, comunicou mal, se está faltando esclarecimentos, isso é do debate político, acho natural, mas eu sou plenamente a favor (do empréstimo) e penso que é um instrumento que todos os governantes, na situação que se passa o país, precisam dele, feliz daquele que tenha condições para conseguir.

O SENHOR foi candidato a vice-prefeito em 2016 e candidato a deputado estadual em 2018. Em relação a esse último pleito, o resultado das urnas o decepcionou? O senhor acreditava que poderia sair vitorioso?

EVIDENTE que eu esperava sair vitorioso, sim. Nós tínhamos alguns números que mostravam isso em um determinado momento da campanha. Claro que nós cometemos erros, e eu não vou estar aqui olhando para trás, os erros já foram assimilados, foi um aprendizado, e a gente tem que olhar para frente. Foi frustrante, sim. Eu tinha ideias, projetos para participação na Assembleia, de vez em quando gostaria mais ainda de estar lá, para colocar algumas coisas.

COMO, por exemplo? Que projeto?

VOU citar aqui um exemplo: eu queria muito participar desse debate em relação ao Proadi, porque eu sou a favor, e já era do Proadi. Agora acho que a governadora Fátima Bezerra errou na comunicação, era para ter feito uma negociação anterior, tinha evitado essa questão. Penso que os prefeitos têm razão, porque vão ter problema, já há problemas de caixa hoje, como os gestores vão perder receitas imediatas, embora possa recuperar depois? Eu, inclusive, pensava em fazer um Proedi ainda mais radical.

Como assim?

No sentido de promover a interiorização da indústria. Defendo que uanto mais distante de Natal, maior o incentivo, porque claramente a gente precisa interiorizar a industrialização, o desenvolvimento, esse é um problema do RN que a gente vem enfrentando com dificuldades há muitos anos, e a gente vê, como vizinhos do Ceará, que esse processo começou há 30, 40 anos e deu resultados. No Ceará a gente vê isso. Os governantes do Rio Grande do Norte precisam entender que se não houver esse desenvolvimento no interior, o estado vai ficar patinando.

É no interior que estão as potencialidades e, ao mesmo tempo, a população que mais precisa ser beneficiada por essas potecialidades, é isso?

Exatamente. O governo deveria fazer muito mais. Posso citar como projeto, que eu nós defendemos, é o de colocar o empreendedorismo dentro da escola pública, para discutir como se abre uma empresa, como se cria um negócio, quais as dificuldades, porque hoje criou-se até uma profissão, "concurseiro", e apenas 12% dos empregos no Brasil são públicos, enquanto quase 90% são da iniciativa privada. A gente precisa que mais gente empregue, e essa preparação tem que começar no ensino médio e chegar nas universidades também, para mostrar que há um caminho fora o concurso público.