Isolda Dantas: “Não vamos antecipar 2020. Sou deputada e cumprirei minha missão”

Parlamentar destaca que não está em pauta, no momento, uma possível candidatura ao Palácio da Resistência em 2020. Acompanhe.

Foto: Assessoria
Foto: Assessoria

Por Maricelio Almeida/Jornal De Fato

Vereadora de primeiro mandato em Mossoró, Isolda Dantas (PT) se prepara para assumir, em 1° de fevereiro, uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. Eleita em outubro do ano passado com 32.963 votos, distribuídos em 166 dos 167 municípios do estado, a parlamentar conversou com o JORNAL DE FATO sobre as expectativas para esse novo passo na sua carreira política, reafirmou as bandeiras que defenderá na Assembleia, comentou pela primeira vez o polêmico episódio dos estagiários demitidos da Prefeitura e afirmou que não está em pauta, no momento, uma possível candidatura ao Palácio da Resistência em 2020. Acompanhe.

DE FATO - A posse da senhora na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte se aproxima. Quais as expectativas para o mandato?

ISOLDA DANTAS - Assumir um mandato de deputada neste momento me parece uma missão muito importante. Somos ativistas políticos desde muito tempo, e os últimos quase quatro anos, com a saída da presidente Dilma, foram muito intensos, tivemos muitas perdas de políticas públicas. Temos uma expectativa muito boa, mas de muita responsabilidade. Além da conjuntura nacional, aqui no Rio Grande do Norte nós seremos uma deputada de situação. É consenso na sociedade que o RN vive uma crise, que não foi gerada apenas pelo último governo, mas também pelos governos anteriores, cujas prioridades foram outras, e a consequência disso é que o Estado chegou ao fundo poço, basta olharmos a situação dos servidores. A nossa grande expectativa é que possamos contribuir com o Governo Fátima, no sentido que o Rio Grande do Norte possa começar a construir as suas bases, porque não podemos dizer para a sociedade que o Estado vai sair dessa crise profunda que está em um curto espaço de tempo, porque a crise foi se agravando. O Estado tem que estar a serviço de quem precisa dele.

A SENHORA viverá um momento novo enquanto parlamentar ao ser situação. Hoje, a senhora é oposição em Mossoró, se destacou ao longo dos últimos dois anos por uma atuação combativa. Fica, então, o questionamento de que como se dará a atuação da senhora na Assembleia Legislativa...

TEMOS que desconstruir essa ideia de que é bom é ser oposição. Não é bom ser oposição. Nem é fácil. Ao ser oposição, quem está no Executivo, não lhe escuta. Vou citar um exemplo preciso e cirúrgico: o papel de um parlamentar é dar segurança jurídica e construir marco legal do que está dando certo, então nós aprovamos uma lei na Câmara de Mossoró que dá garantias legais sobre a Ronda Mulher, uma tarefa executada pela Guarda Municipal em parceria com o Poder Judiciário. A Prefeitura já vinha fazendo isso, tinha bons resultados, então nós pegamos essa ideia com parlamentar e transformamos em lei. A prefeita, simplesmente porque a lei era nossa, ela disse que não era tarefa da Guarda Municipal fazer esse tipo de coisa, mas a Guarda já fazia, nós apenas transformamos em uma política pública através da lei. É muito mais fácil ser situação. E eu já estive na condição de situação por duas vezes, não como parlamentar, mas no Executivo. Trabalhei nos governos Lula/Dilma e na Prefeitura de Mossoró como secretária de Cultura, então é mito dizer que ser oposição é melhor, bom mesmo é ser situação, porque as suas opiniões são consideradas, suas sugestões são acatadas, que é o que a gente espera contribuir com o Governo Fátima.

E QUANTO à fiscalização da gestão Fátima, os eleitores da senhora podem esperar uma postura de cobrança em relação ao Governo?

PODEM. Sou uma parlamentar forjada nas ruas e na luta dos movimentos sociais. Não há sentido ser parlamentar se não for para traduzir as demandas da sociedade, especificamente as ecoadas pelos movimentos sociais. A condução da nossa atuação política não vai ser alterada, porque nós achamos que a política é a única forma de resolver a vida das pessoas para melhor. O papel de parlamentar nós cumpriremos igual quando nós fizemos na Câmara de Mossoró. Em Mossoró, contribuímos com o governo da prefeita, o problema é que a prefeita não quis a nossa contribuição. O papel de fiscalização é presente para qualquer parlamentar, seja de situação, seja de oposição, e nós seguiremos cumprindo nosso papel, não tenha dúvida.

QUAL será a principal bandeira de luta da senhora da Assembleia Legislativa ou quais bandeiras serão abraçadas pelo mandato da senhora?

NÓS queremos intervir estrategicamente nos temas do Rio Grande do Norte, mas como já é parte da nossa ação política, o tema rural é uma questão que consideramos muito importante, o tema de direito a cidade também, onde discutiremos o desenvolvimento das cidades de médio e grande porte, e dentro desses dois grandes temas, estarão permeadas questões relativas a mulheres, juventude e LGBT. Nosso propósito é fazer que o Estado possa oferecer para as pessoas o que ele tem de melhor, que são políticas públicas para melhorar a qualidade de vida de cada um.

A SENHORA foi votada em 166 dos 167 municípios do RN, mas só em Mossoró a senhora recebeu 11.031. O que a população mossoroense pode esperar do seu mandato quanto a ações e projetos voltados para a cidade?

QUERO aproveitar e agradecer mais uma vez a Mossoró, que nos deu um mandato de vereadora, inclusive pelo próprio resultado que tivemos na cidade é um sinal de que nós correspondemos às expectativas. No mandato de deputada estadual, nós não queremos ser diferentes. Por Mossoró ser uma das cidades mais importantes do Rio Grande do Norte, teremos uma atenção especial, com escritório político na cidade, com as mesmas condições do nosso gabinete em Natal. Isso significa que estaremos presentes no cotidiano e na vida política da cidade, lógico que em outro patamar, mas nós vamos estar muito firmes. O que Mossoró pode esperar é uma parlamentar que vai cumprir o seu papel de fiscalização, de proposição e que vai discutir os principais problemas da cidade. Hoje, Mossoró enfrenta uma gestão extremamente desgovernada, com um mandato da prefeita que não resolveu nenhum problema da cidade. Quando olhamos para a saúde, percebemos que há um aprofundamento da crise, quando olhamos para outras questões, há muitos problemas. Então, Mossoró pode esperar, como eu costumo dizer, em nível plus o que foi nosso mandato de vereadora, de muita proposição, de acompanhamento das questões, onde possamos ouvir as pessoas. Queremos um mandato muito presente na cidade, para que os problemas e soluções possam chegar a lugares como a Assembleia.

QUE balanço a senhora faz do mandato na Câmara Municipal de Mossoró?

EU DISSE, ao fazer meu discurso de despedida na Câmara, que tinha muito orgulho e vou ter sempre muito orgulho de ter sido vereadora de Mossoró. Eu acho que nós cumprimos um papel importante, no sentido de dizer que é possível fazer política diferente, é possível fazer política sem ter uma mão pegando no nosso punho. Foi um mandato que Mossoró nos deu e a sociedade abraçou e que a gente devolveu com muito trabalho, muita responsabilidade e com aquilo que a sociedade espera de uma parlamentar, digo isso baseada no fato de ter sido eleita parlamentar do ano e também na votação expressiva que recebemos em Mossoró. Acho que Mossoró conheceu um novo jeito de fazer política e uma parlamentar que tem muita disposição e acredita na política.

QUAIS as expectativas da senhora em relação ao seu substituto na Câmara, o professor Gilberto Diógenes?

CONHEÇO Gilberto de muitos anos e fico muito tranquila em sair e deixar o mandato do PT nas mãos dele, porque sei de sua combatividade, de suas posições de esquerda, e sei que o que nós fizemos e plantamos na Câmara Municipal, ele vai regar e cuidar, dando continuidade, lógico a partir do seu perfil, do seu trabalho, da sua equipe. Saio muito tranquila, porque sei que o mandato do PT estará em boas mãos de luta.

DEPUTADA, no dia 1° de fevereiro acontece a eleição para a nova mesa diretora da Assembleia Legislativa. O PT já definiu encaminhamentos quanto a esse processo sucessório?

ISSO, para mim, é muito resolvido. Da mesma forma que para votar para presidente da Câmara de Mossoró eu estabeleci um diálogo com o PT, na Assembleia também haverá esse diálogo com a executiva do Partido dos Trabalhadores. Eu e Francisco (deputado eleito pelo PT), certamente, teremos o mesmo voto, porque eu já disse e reafirmo que será uma definição do PT. Nós do partido temos essa prática e eu sou uma deputada extremamente partidária, por isso que o meu voto será definido em diálogo com a executiva do partido.

QUAL a avaliação que a senhora faz desses primeiros dias do governo Fátima Bezerra?

EXTREMAMENTE positiva. Acho que a governadora tem tido muita capacidade de, em pouco tempo, resolver um problema tão agudo de conflito (salário dos servidores), não que o problema esteja totalmente resolvido, mas construiu um plano alternativo em diálogo com os servidores. Então, eu a parabenizei, acho que foi um sucesso absoluto, como tem sido em relação a outras questões. É pouquíssimo tempo para avaliar. Qualquer afirmação que se faça, é muito cedo, mas considerando esses poucos dias, considerar que foi construído um diálogo com os movimentos sociais e se ter um plano com possibilidade de execução, isso nos dá indicativos de que, primeiro, o governo será participativo; e segundo, haverá muitos acertos. Eu sempre fui muito otimista e meu otimismo tem aumentado especialmente no que se refere a essa resolutividade do conflito com os servidores, através do diálogo.

EM RELAÇÃO a essa questão dos salários, a governadora tem utilizado o discurso da antecipação do pagamento referente a janeiro, sem quitar ainda os débitos deixados em aberto pela gestão anterior, uma estratégia semelhante à que foi utilizada pela prefeita Rosalba Ciarlini em 2017. Não é um pouco fora da realidade falar em antecipação de salário quando há servidores que não receberam sequer o 13° de 2017?

NÃO. Muito pelo contrário. Veja, por exemplo, se estou com meu cartão de crédito atrasado, e ao invés de receber dinheiro no dia 30, eu recebo dia 10, significa que reduzi 20 dias de juros no cartão. É um exemplo. Se o Estado tem a condição, porque entra receita, de fazer essa antecipação, por que ficar com dinheiro no cofre, esperando pelo dia 30? Se tem dinheiro, paga, porque as pessoas estão com atraso muito grande, e não é responsabilidade da governadora, o que ela está dizendo é: existe uma situação que ela quer resolver, e os servidores, em diálogo com seus representantes, consideraram que uma das possibilidades que aliviaria a situação dos servidores era a antecipação. Rosalba não fez antecipação de salário. Não é verdade que Fátima está copiando Rosalba.

MAS, servidores de algumas categorias e faixas salariais do Estado já estavam recebendo seus salários até o dia 10 de cada mês...

CORRESPONDENDO ao mês anterior. Não era antecipação de salário. Robinson não fez antecipação. Essa proposta de antecipação foi de Fátima junto com os servidores. O que se pagava era do mês anterior. Na prática, não é mesma coisa. Está se pagando agora o mês correspondente, com a perspectiva de construir um calendário, coisa que Rosalba não fez. Rosalba pagou agora dezembro de 2016. Não é essa a perspectiva de Fátima. A perspectiva é: entrou dinheiro novo, paga. Tem uma proposta de pagamento. Rosalba não indicou para os servidores de Mossoró quando pagaria; veio pagar agora, dois anos depois. Não vamos comparar Rosalba com Fátima porque são coisas completamente diferentes.

A SENHORA se envolveu em um episódio polêmico recentemente, na questão da demissão dos estagiários da Prefeitura, quando foi colocado por setores da imprensa que a senhora estaria dando uma conotação política à situação. O que teria a dizer sobre esse episódio?

A IMPRENSA, e imagino que o JORNAL DE FATO não deve corroborar com aquele tipo de episódio, porque a minha privacidade foi invadida. Quem for, de fato, um órgão de imprensa, jamais vai admitir que aquilo ali é uma forma de captar informações. Segundo, eu sou uma pessoa que atua na política, um agente político, se há um absurdo com o que a prefeita fez com os estagiários, eu não poderia jamais ficar calada, e nem ficarei. Me posicionarei, até porque fui convidada pelo movimento, até mais de uma vez, para participar dos atos. Qualquer ato da prefeita, que seja absurdo como foi, por definição política interromper um contrato de pessoas estagiárias que inclusive fazem o papel de servidores públicos, trabalhando para além do que está previsto no contrato, eu vou me posicionar, sim. A polêmica foi criada por quem vai atrás de notícia de forma indevida. O jornalismo não pode se render àquele tipo de coisa e ficar invadindo a privacidade das pessoas, até porque eu não estava fazendo nada demais. Qual o problema de dialogar com as pessoas? Sou parte da política, estou ao lado dos estagiários todas as vezes que eles me chamar.

A SENHORA tem sido apontada como pré-candidata à Prefeitura de Mossoró em 2020. Em alguns discursos, a senhora afirmou e reafirmou que gosta do Parlamento, do Poder Legislativo. Aceitaria o desafio de se lançar candidata ao Palácio da Resistência?

EU SOU deputada até 2022. Não vamos antecipar 2020. Fui eleita deputada, vou assumir dia 1° de fevereiro e cumprir minha missão. Não se pode antecipar coisas na política, porque se desconsidera o que está posto numa conjuntura atual. Não antecipo 2020. Sou deputada eleita com muito orgulho e seguiremos com nosso mandato construído com muita esperança e resistência.

MAS não descarta a possibilidade?

ISSO não está na pauta.