Alimentação saudável na escola: a importância de integrar pais, alunos e profissionais

Instituto Educacional DóRéMí (IED) tem apostado nessa parceria para mudar os hábitos alimentares dos alunos.

Foto: Maricelio Almeida
Foto: Maricelio Almeida

Por Maricelio Almeida

Uma em cada três crianças brasileiras com idade entre cinco e nove anos está com o peso acima do recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O problema da obesidade afeta 1/5 da população infantil e pode resultar em uma futura geração de hipertensos, diabéticos, problemas renais, cardiovasculares e cerebrais. O que fazer para mudar essa realidade? Investir em hábitos alimentares saudáveis é o caminho. E a escola tem um papel fundamental nesse processo.

Consciente dessa responsabilidade enquanto ambiente de formação e socialização, o Instituto Educacional DóRéMí (IED), localizado na região do Nova Betânia, Mossoró, está investindo na integração entre pais, alunos e especialistas para tornar a discussão sobre alimentação saudável cada vez mais presente na escola, não apenas na teoria, mas também na prática.

Na noite desta quinta, 19, por exemplo, o IED, em parceria com o Espaço Integrado de Nutrição Mais Saudável, promoveu o primeiro encontro do projeto "Educar e Nutrir: pequenos saudáveis". O evento, realizado na Cozinha Pedagógica do Serviço Social do Comércio (SESC) de Mossoró, contou com a participação de nutricionistas, pais de alunos, professores, que puderam acompanhar a palestra "Formação de Hábitos Alimentares Saudáveis na Infância" e ainda uma oficina sobre como montar uma lancheira mais saudável.

Para Raiane Galvão, mãe de aluno do DóRéMí, iniciativas como essa são imprescindíveis para que as crianças de hoje se tornem adultos mais saudáveis. "Meu filho não tem dificuldades quanto à alimentação adequada, porque desde cedo procurei a ajuda de profissionais especializados para dar esse suporte, então hoje ele come verduras, legumes, etc. Então vejo essa iniciativa da escola como muito positiva. Trabalhar em conjunto é fundamental em todo esse processo de construção de hábitos alimentares mais saudáveis", ressalta.

A diretora do IED, pedagoga Renata Wele, acrescenta que o projeto "Educar e Nutrir: pequenos saudáveis" compreende não apenas a realização de palestras e oficinas, como as promovidas nesta quinta, 19, mas também uma série de ações que serão desenvolvidas ao longo de todo o ano. "A parceria com os pais, alunos e nutricionistas refletirá em mudanças significativas na escola, que serão sentidas a curto, médio e longo prazo", destaca a diretora.

A nutricionista Jaqueline Dunga, do Espaço "Mais Saudável",  reforça que a escola é uma peça chave na construção do hábito alimentar da criança. Ela explica que esse trabalho deve ser iniciado desde o planejamento pedagógico, com a inserção, na grade curricular, do tema educação nutricional.

"Temos que ter a preocupação de que esse tema não deve ser trabalho de forma pulverizada, para que a criança entenda a importância de comer bem, e comer bem está relacionado ao valor nutricional do alimento. Essa discussão também permite conhecer que os produtos de fácil acesso na escola, são fontes de gorduras saturas, gorduras hidrogenadas, gorduras trans, com alta concentração de sódio, de açúcar. Esses alimentos proporcionam sabor, em contrapartida causam um grande índice de obesidade, além de outros distúrbios nutricionais", conclui a especialista.